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Paisagem Protegida do Corno de Bico

Data: 
24 Mar 2018 - 10:00 to 17:30

      Vamos dar início a uma nova série de atividades de pedestrianismo pela "Nossa Terra". E como no início  se aconselha moderação e contemplação escolhemos um percurso bucólico na Paisagem Protegida de Corno de Bico que resultará da combinação de dois PRs: O TRILHO ALTO DOS MORRÕES e O TRILHO CORNO DE BICO. É circular e tem uma distância total estimada de 10Km, com início e fim no lugar de Túmio.

     Partimos do lugar de Túmio em direcção à ermida da Giesteira, precisamente onde a estrada de alcatrão é substituída pelo caminho empedrado de acesso ao centro do lugar que ainda conserva alguns aspectos interessantes da arquitectura tradicional do Alto Minho, entrando na floresta do Corno de Bico, composta por uma vasta e densa mancha de carvalhos (Quercus robur). O Corno de Bico é um espaço emblemático para o concelho de Paredes de Coura e de grande importância para a região, considerado um pequeno santuário natural. Desde tempos remotos que jogou um papel fundamental, servindo de local de culto, de espaço de defesa, de linha de fronteira, de pastagens e de abrigo. Durante o período do Estado Novo, os serviços florestais desencadearam um processo de arborização e de valorização florestal de um espaço que, até então, era ermo pela excessiva actividade pastoril. Hoje, tem um papel importante ao nível da conservação da natureza, o que permitiu a sua inclusão como Sítio Classificado da Rede Europeia NATURA 2000 e na Rede de Áreas Protegidas de Portugal. A par desta classificação, é igualmente importante o património humano das comunidades rurais, que permitiram moldar este território.  O caminho desemboca na estrada florestal, que percorreremos por poucos metros, para depois seguirmos um caminho em terra que nos conduzirá pelo Alto do Espinheiro até ao culminar deste percurso no Corno de Bico, que ostenta um marco geodésico à cota de 883 metros. Deste miradouro natural, rodeado de blocos graníticos, podemos apreciar uma majestosa paisagem que se abre, quer para o Vale do Rio Coura, quer para os Vales dos Rios Vez e Lima. 

 
     Chegados à pequena ermida da Giesteira, o percurso faz-se por entre campos murados que, pouco a pouco, vão dando lugar a bouças e campos abandonados cuja vegetação autóctone proliferou de forma espontânea, para nos embrenharmos por completo no extenso carvalhal da Paisagem Protegida. Esta floresta, antes classificada como Mata Nacional, resultou da plantação levada a cabo no período do Estado Novo, como referido, destacando-se o carvalho (Quercus robur), o vidoeiro (Betula alba), o castanheiro (Castanea sativa), a faia (Fagus sylvatica), o pilriteiro (Crataegus monogyna), o azevinho (Ilex aquifolium), entre muitas outras. Em tão rico e diversificado habitat, são inúmeros os animais que aqui encontram abrigo e alimento, destacando-se o lobo ibérico (Canis lúpus signatus), o corço (Capreolus capreolus), o esquilo-vermelho (Sciurus vulgaris), a toupeira-de-água (Gallemis pirennaicus), a águia de asa redonda (Buteo buteo). Para além das espécies do reino animal e do reino vegetal, também são de destacar, quer pela sua ampla variedade, quer pelo seu interesse gastronómico, as inúmeras variedades do reino dos fungos, conhecidas vulgarmente por cogumelos. 
 
     Durante o percurso podemos observar alguns exemplos da arquitectura popular, desde os simples espigueiros às típicas casas das comunidades de montanha do território de Coura. Igualmente, fazem parte deste património construído os campos de cultivo, trabalhados em socalcos, regados por água acumulada em “poças” e conduzida por levadas em terra, rodeados por escultóricos muros de pedra solta, bordajados por azevinho.

 

Em relação à Paisagem Protegida de Corno de Bico ( excerto do site do ICNF ):

 

     A Paisagem Protegida de Corno de Bico, com a sua gestão confiada ao Município de Paredes de Coura, constitui um pequeno santuário natural situado nos limites sueste deste concelho, abrangendo cinco freguesias, nomeadamente Bico, Castanheira, Cristelo, Parada e Vascões.

     A região é essencialmente montanhosa, com contornos arredondados, sendo Corno de Bico, com 883 m de altura, a elevação de maior altitude da região setentrional. No topo destas encostas, é possível ver ''caos de blocos'', que são aglomerados de blocos de granito, a rocha dominante da região, conferindo um aspeto caótico à paisagem. Nesta região estão incluídas as cabeceiras de três dos principais cursos de água minhotos, i.e. Coura, Labruja e Vez. O Coura tem origem em dois cursos de água distintos, nomeadamente o ribeiro dos Cavaleiros e a ribeira de Reiriz.

     Relativamente à vegetação local, o carvalhal é a formação dominante, constituindo cerca de 25% da paisagem. Esta importante mancha de carvalhos é relativamente jovem, foi plantada no decorrer dos anos 40 do séc. XX, e mantém-se muito bem conservada. O carvalhal é um bosque misto, dominado por espécies caducifólias, de entre as quais se destacam o carvalho-alvarinho Quercus robur e o azevinho Ilex aquifolium.

     A fauna da região é igualmente rica em variedade de espécies. Foram registadas na área 188 espécies de vertebrados. A diversidade de habitats, a interação entre eles e as condições climáticas da região, permitem que esta zona forneça excelentes recursos de alimentação, reprodução e abrigo a vários animais. No entanto, não é apenas a variedade de espécies que contribui para a importância da comunidade faunística na região. Com efeito, esta assenta também na existência de espécies cujo valor, do ponto de vista da conservação, contribui para consolidar a Paisagem Protegida do Corno de Bico como um património que urge conservar. Na verdade, foram identificadas 25 espécies de vertebrados com elevada prioridade de conservação.

     Podem aqui encontrar-se espécies como o lobo-ibérico Canis lupus signatus, a salamandra-lusitânica Chioglossa lusitanica, a víbora de Seoane Vipera seoanei, a toupeira-de-água Galemys pyrenaicus e o tartaranhão-caçador Circus pygargus, entre muitas outras. Várias destas espécies são endémicas ou estão sob diferentes graus de ameaça, o que contribui para aumentar o valor faunístico da Paisagem Protegida do Corno de Bico.

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